Mãe e filho foram rendidos no Centro da cidade; grupo fez ao menos 10 reféns durante a ação, mas ninguém ficou ferido. Agência bancária ficou destruída após explosões.
Por EPTV 1 e G1 Piracicaba
Criminosos fizeram ao menos dez pessoas reféns durante o ataque a uma agência bancária em Iracemápolis (SP) na madrugada desta sexta-feira (6). Um morador foi rendido no Centro da cidade durante a ação dos criminosos, que explodiram caixas eletrônicos. “Achei que era brincadeira. Na hora a gente fica sem reação”, comentou o motociclista, que não quis ser identificado. Ninguém foi preso.
Os criminosos chegaram à cidade pouco antes das 4h e se espalharam em pontos estratégicos. A ação começou quando eles atiraram em uma loja de conveniência, que fica dentro de um posto de combustíveis, bem na entrada da cidade.
Eles começaram a render as pessoas que passavam de carro por ali e fizeram um “cordão humano” para evitar a aproximação da polícia. “Os ladrões pararam o carro, apontando o rifle para mim e fizeram ‘eu’ descer”, conta outro refém, que também não quis se identificar. “Não parou só um, parou mais uns quatro, cinco carros ali.”
“[Disseram] que nós só estávamos [lá] para proteger eles, [disseram] :’nós não vamos matar ninguém, não vamos fazer nada com vocês, só vocês ficarem quietos’.”
Imagens da câmera de segurança mostram as pessoas em fila no posto, rendidas por um dos criminosos, que estava encapuzado e armado. Sete pessoas foram feitas reféns no local por cerca de meia hora.
O refém conta ainda que eles pediram para o grupo tirar as blusas, mas com o frio, permitiram que eles se vestissem novamente. “Eles se comunicavam por áudio, aí quando explodiram, um disse: ‘pronto, já acabou’. Aí eles liberaram a gente”, conta.
Os criminosos também atiraram contra a porta de vidro da loja de conveniência e do balcão, que ficaram destruídos. Ninguém ficou ferido.

‘Achei que era brincadeira’
O motociclista estava levando a mãe para o trabalho, no Centro da cidade, quando tudo aconteceu.
“Quando eu saí de casa, já escutei alguns barulhos, coisas estranhas. No caminho, tinham três meninos escondidos atrás do carro, não sei se estavam assustados, se escondendo ou algo do tipo. Quando virei a rua, escutei uma explosão e tinha um cara na esquina. Eu achei que era brincadeira, ‘né’. Aí quando fui aproximando, vi que ele estava de colete, touca ninja, com fuzil na mão falando para descer, para parar, para erguer a mão.”
O motociclista conta ainda que havia um carro prata atravessado na rua, com as portas abertas e dois homens na esquina.
Ao rendê-los, os criminosos pediram que os dois erguessem as blusas e fossem embora, mas acabaram desistindo de usar a motocicleta e permitiram que os dois deixassem o local no veículo.
“Minha mãe ficou super nervosa com a situação. Você não está esperando aquilo acontecer. Achei que era brincadeira. Na hora a gente fica sem reação. Não tem muito o que fazer, ‘né’. Assusta.”

Ataque à agência
As explosões começaram por volta das 4h. Os criminosos também dispararam contra a agência. No vídeo de um jornalista de Iracemápolis, que ficou sabendo da ação e seguiu para o local no momento do crime, é possível ouvir o barulho dos tiros.
Os criminosos ainda fizeram várias pessoas reféns nas ruas em volta da Praça da Matriz, onde fica a agência. Uma das vítimas foi um policial militar aposentado.
“Aqui [na agência] eles se distribuíram no Centro de Iracemápolis para poder fazer a estratégia do roubo deles. Renderam algumas pessoas que estavam saindo e chegando do trabalho, fizeram elas ficarem próximas de onde eles estavam, para fazer uma espécie de ‘cinturão humano’ para impedir que a PM chegasse e começasse, talvez, até uma troca de tiros”, conta o capitão da Polícia Militar, Edson Costa Pereira.
Imagens mostram um vigilante que foi obrigado a ficar de braços abertos no meio da rua, usado como “escudo” para evitar a aproximação da polícia.
Na fuga, a quadrilha fez mais reféns para escapar da polícia. “Os criminosos renderam uma pessoa, fizeram com que ela conduzisse o carro até Limeira e o abandonasse na entrada da cidade, também como uma forma de confundir a ação da PM e fazer com que os policiais [seguissem] para lá, o que não aconteceu”, completa o capitão da PM.
Apesar da ação violenta, ninguém ficou ferido. A polícia acredita que, ao menos, 12 criminosos participaram da ação. Eles fugiram usando, pelo menos, sete carros por várias saídas da cidade. Até esta publicação, nenhum suspeito havia sido localizado.

Agência destruída
Com a explosão, a agência bancária ficou destruída. A força foi tanta que derrubou uma parte da parede do imóvel. No local, além dos estilhaços de vidros espalhados pela rua, ficaram as marcas de tiros em vários pontos.
Alguns caixas eletrônicos ficaram danificados com a explosão, mas o cofre da agência não foi atingido. A informação é de que o grupo não conseguiu levar dinheiro do banco.
Por nota, o banco Bradesco informou que a agência não terá atendimento nesta sexta-feira e que “está avaliando os danos para repor o mais breve possível”.

Prejuízos
Após a ação, a área onde fica a agência foi isolada por segurança. Os investigadores temiam que explosivos que não foram detonados pudessem ter sido deixados no local. O Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar foi acionado e fez uma varredura no local.
A equipe ainda precisa fazer uma perícia para saber se os criminosos conseguiram roubar algum dinheiro do banco.
O dono da loja de conveniência informou que os disparos dos criminosos quebraram a porta de entrada, que era de vidro, e atingiram ainda duas estufas, a geladeira e o balcão. O grupo também atirou contra algumas câmeras de segurança. Ele estima que o prejuízo foi de cerca de R$ 6 mil.










