No Google, no Youtube, no Facebook e em outras redes sociais, as propagandas usaram depoimentos de clientes e funcionários dizendo que, com ajuda dos relatórios, os ganhos foram fenomenais.
Eu entro no Facebook e um vídeo garante, e tom triunfal, que se eu tivesse investido com essa empresa há pouco teria hoje o triplo do dinheiro. Alguns extrapolam ainda mais e prometem multiplicações ainda maiores.
Existe algo engraçado nessas propagandas, que criam até subcelebridades e pretendem vender assinaturas dos relatórios das consultorias de investimento. Demonstram a credulidade quase infinita das pessoas diante da chance de um ganho fácil.
Mas há um lado negativo: com perspectivas de ganhos irreais, muitos investidores – pessoas comuns – acreditam nelas e, quando o retorno esperado não vem, percebem que foram ludibriados.
Se tratando de agentes credenciados, mentir nessa magnitude desmoraliza o mercado. O Brasil sairia ganhando com uma legislação parecida com a dos Estados Unidos, que pune a propaganda enganosa no mercado financeiro.
Em julho do ano passado, a SEC (Securities and Exchange Commission), que regula o mercado americano, puniu duas empresas de consultoria, três consultores de investimentos e um consultor de marketing devido a campanhas muito parecidas com as que temos por aqui.
No Google, no Youtube, no Facebook e em outras redes sociais, as propagandas usaram depoimentos de clientes e funcionários dizendo que, com ajuda dos relatórios, os ganhos foram fenomenais. Também foram publicados depoimentos positivos na página das consultorias no site de resenhas Yelp.
Ninguém é proibido de dizer que obteve o retorno X em um investimento ou mesmo postar sobre isso. Mas nos Estados Unidos uma empresa usar esses testemunhos para influenciar outras pessoas é uma violação da legislação que proíbe esquemas fraudulentos.
Isso ocorre porque as empresas, naturalmente, destacam aqueles depoimentos e comentários favoráveis, escondendo os desfavoráveis dos investidores que, com as mesmas dicas de investimento, não obtiveram o mesmo ganho ou até perderam dinheiro. Cria-se a falsa impressão de que há apenas ganhadores.
E não adianta alegar que os ganhos existem para alguns. A punição leva em conta o mercado. Mesmo grandes investidores como Warren Buffet não conseguem retornos sequer próximos aos prometidos em nossa internet.
Em consequência da decisão, todos os envolvidos na denúncia foram obrigados retirar do ar a propaganda enganosa e ainda pagaram multas. É uma lição para o mercado brasileiro em termos de compliance.
O caso ainda embute outro exemplo. A regra usada para as punições é de 1961, logo, de muito antes da internet, mas vem sendo atualizada para incluir a propaganda nas redes sociais. A última atualização foi em 2012.
Já no Brasil, na falta de uma lei mais eficiente, sobram “testemunhos” na internet sobre como certas dicas foram responsáveis por retornos impossíveis. E o pior: tem gente que acredita.












