Marcelo Chinelatto conta que teve depressão e encontrou na música o sustento próprio. ‘Isso deixa as pessoas mais tranquilas no trânsito’.
Foi com um saxofone dado pela mãe que Marcelo Chinelatto, de 48 anos, reencontrou as forças para seguir em frente após ser diagnosticado com depressão. Chinelatto trabalhava como vigilante quando, há cinco anos, ficou sem emprego e não conseguiu recolocação.
Em 2016, decidiu usar o instrumento de sopro – que aprendeu a entoar aos 9 anos de idade – para tocar em um semáforo de Piracicaba (SP). De lá para cá, transformou a atividade em profissão e sustento próprio.

O dinheiro ganho com o saxofone, segundo o músico, é suficiente para viver com a mulher, que toca teclado, e a filha de 9 anos. E é da junção de moedas que ganha dos motoristas que Chinelatto garantiu, inclusive, a ceia de Ano Novo na casa dele, em um conjunto habitacional no Jardim Gilda.
A profissão foi se tornando tão séria que o artista até mesmo viaja para outras cidades para cumprir uma agenda em casamentos e eventos, além de outras apresentações de rua. Trabalha de cinco a seis horas por dia, faça chuva ou sol. Diz, com um sorriso no rosto, que não parou sequer um dia.
“Fazer isso é a alegria da minha vida. Antes, era muito difícil ter um sustento, mas aí veio o saxofone e tudo mudou”, conta.
Mas o artista lembra, emocionado, que nem sempre os dias foram de felicidade. Por causa de dificuldades financeiras, chegou a vender um saxofone que teve por anos. A partir disso já não havia motivos para Chinelatto sorrir. E foi aí que a mãe dele entrou na história.
“Depois que meu filho ficou sem o instrumento, ele ficou muito triste. Então dei um novo de presente, pois sabia que sempre foi a paixão da vida dele”, conta a aposentada Aureluci Chinelatto, de 77 anos, moradora de Americana (SP).

Atuamente, o saxofonista fica no cruzamento das avenidas Armando de Salles Oliveira e Torquato da Silva Leitão, na região central de Piracicaba, ele conta que chega a ter motorista que desvia a rota e passa pelo cruzamento só para pedir uma música e o ver tocando.
“Isso deixa as pessoas mais tranquilas no trânsito, o que acaba dando ainda mais vontade de trabalhar”, diz Chinelatto.












