Centenas de pessoas fazem manifestação e pedem justiça para morte de obstetriz

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Passeata passou pelas ruas do Centro de Conchal e fez parada no hospital que Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos trabalhava e na casa onde morava. Ela foi morta a facadas por um vizinho.

Cerca de 200 pessoas participaram de uma manifestação, na manhã desta quarta-feira (23) em Conchal (SP), em repúdio ao assassinato da obstetriz Nelly Cristina Venite de Souza Maria, morta com 16 facadas dadas por um vizinho, na madrugada de sábado (19).

A passeata começou às 9h, saiu da Praça da Fonte, passou pelas principais ruas do Centro de Conchal, fez uma parada em frente ao hospital Hospital e Maternidade Madre Vaninni, onde Nelly trabalhava, para um minuto de silêncio, e terminou no prédio onde a obstetriz morava. Os participantes rezaram, colaram cartazes e deixaram flores no local.

Manifestantes coloram cartazes e deixaram flores na frente da casa onde a obstetriz Nelly morava em Conchal (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Manifestantes coloram cartazes e deixaram flores na frente da casa onde a obstetriz Nelly morava em Conchal (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Amigos, colegas de trabalho e familiares carregaram um caixão branco e muitas faixas pedindo justiça. Emocionados, os pais de Nelly acompanharam o cortejo, mas não quiseram dar entrevista.

Os pais da obstetriz Nelly, amigos e colegas de trabalho fizeram manifestação em Conchal (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Mãe e padrasto da obstetriz Nelly, amigos e colegas de trabalho fizeram manifestação em Conchal (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Violência contra as mulheres

A ideia da manifestação partiu de um grupo de mulheres inconformadas com a violência do crime.

“A gente se sensibilizou muito e já no sábado de manhã teve a ideia da manifestação para não deixar nunca mais essa violência acontecer aqui em Conchal, porque como ela não é daqui não ia ter caixão, não ia ter corpo não ia ter velório e o crime ia simplesmente se naturalizar, por isso a gente decidiu mostrar para Conchal que a gente não aceita violência contra a mulher”, afirmou a assistente social Mariela Godoi, 35 anos uma das organizadoras.

Nelly, que morava em Conchal há apenas três meses, foi enterrada em Jardinópolis (SP), na segunda-feira (21).

A estagiária da área de Saúde Ana Beatriz Batista de Souza, de 18 anos, afirmou que é preciso conscientizar a população para que crimes violentos como o de Nelly parem de ocorrer.

“A gente poderia previnir isso se, quando a gente escutasse uma briga, a primeira briga que fosse, a gente ligasse para a polícia e denunciasse a violência. Muitos crimes poderiam ser evitados. A conscientização é muito importante principalmente na área da educação, com crianças e adolescentes e principalmente com adultos”, disse.

Colegas trocaram o branco pelo preto

Colegas que trabalhavam no hospital em Conchal com a obstetriz Nelly vestiram preto para trabalhar (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Colegas que trabalhavam no hospital em Conchal com a obstetriz Nelly vestiram preto para trabalhar (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Os profissionais do Hospital e Maternidade Madre Vaninni foram trabalhar de preto nesta quarta-feira em solidariedade à colega assasinada.

“Nós trocamos o branco, que é a cor própria da saúde, pela cor preta como sinal de repúdio e porque o coração do Madre Vaninni chora junto com a família da Nelly”, afirmou a diretora do hospital, a irmã Suelene dos Santos.

Segundo a religiosa, o clima do hospital é de choque, mas todos os funcionários, mesmo os que fizeram plantão noturno, participaram da manifestação: “Aderiram de maneira extraordinária, o que prova que ela [Nelly] era muito querida”, afirmou.

Crime

Nelly Cristina Venite de Souza Maria foi assassinada em Conchal (Foto: Arquivo pessoal)

Nelly Cristina Venite de Souza Maria foi assassinada em Conchal (Foto: Arquivo pessoal)

O corpo da obstetriz Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos, foi encontrado na madrugada de sábado (19) por guardas municipais com, pelo menos, 16 facadas na cabeça, braços e tórax, além de sinais de estrangulamento.

De acordo com a GCM, um vizinho contou ter ouvido a vítima pedir socorro por volta das 3h e acionou as autoridades. Quando os gritos cessaram, ele viu o namorado da obstetriz sair da kitnet onde a moça morava e fugir em um carro que outra pessoa dirigia.

O suspeito do crime, Emilson Rodrigues de Jesus, era vizinho de Nelly, com quem ela mantinha um relacionamento recente, segundo o cunhado da vítima. Na casa dele, os guardas municipais encontraram 64 pinos de cocaína e uma faca com marcas de sangue.

Manifestação de repúdio pela morte da obstetriz Nelly reuniu centenas de pessoas (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Manifestação de repúdio pela morte da obstetriz Nelly reuniu centenas de pessoas (Foto: Fabio Rodrigues/G1)

Jesus foi preso pela Polícia Militar em Malacacheta (MG), na tarde de domingo (20), e transferido para o estado de São Paulo, para local não divulgado pela polícia.

Reportagem: Fabio Rodrigues, G1 São Carlos e Araraquara


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