Veronica Oliveira e Suhellen Kessamiguiemon vem utilizando as redes sociais para quebrar o tabu em relação ao papel da diarista.
No país em que as trabalhadoras domésticas são vistas como “quase da família”, mas que, ao mesmo tempo, precisam limpar a casa dos clientes em troca de comida, falar sobre as relações de trabalho entre diaristas e patrões é um incômodo.
Contudo, duas delas vem usando o Instagram para colocar a questão em pauta. Varonica Oliveira, do Faxina Boa, e Suhellen Kessamiguiemon, do Diário da Diarista, estão abordando o tema de forma bem direta. Criadoras de conteúdo, elas falam sobre o cotidiano que viviam como diaristas.
Veronica, moradora de Itaquera, em São Paulo, criou o perfil nas redes sociais com posts criativos com o objetivo de divulgar o trabalho como diarista. Aos poucos foi conquistando fãs. De primeira, não queria ser porta-voz de ninguém. Até que recebeu uma mensagem de uma trabalhadora doméstica dizendo que só passou a ter orgulho da profissão depois que a conheceu.
Já Suhellen, que é de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, inicialmente, também foi para o Instagram com o intuito de divulgar o trabalho. Ela escolheu a profissão pela flexibilidade de horários para cuidar dos filhos.
No final de 2018, ela realizou uma faxina na casa de uma jornalista que publicou um texto sobre ela, explicando a necessidade de se valorizar as trabalhadoras domésticas. Desde então, as redes sociais da “pseudodigital influencer“, como se define no Instagram, foram crescendo, também com a divulgação por outros perfis.
Ex-faxineiras, agora elas usam o alcance na rede de, respectivamente, 298 mil seguidores e 37,9 mil seguidores para reforçar a importância das trabalhadoras domésticas como prestadoras de serviço, e não como uma “ajudante” da casa.
Com o Faxina Boa, Veronica compartilha histórias da vida como trabalhadora doméstica, seus perrengues e conquistas. Palestrante, ela também acaba de lançar um livro, o “Minha Vida Passada a Limpo”, em que conta as experiências sob sua perspectiva de mulher negra, mãe solo e faxineira.
Ter sido mãe na adolescência e o fato de ter um filho de 12 anos autista também são momentos narrados por Veronica na publicação. Ela reforça que o tempo que atuou como faxineira equivaleu a um “doutorado de sociologia”, por fazê-la entender como se dão as relações sociais entre os patrões e as trabalhadoras domésticas.
A guinada para o trabalho na internet foi orgânica, uma vez que muitos dos seus clientes trabalhavam com comunicação e decidiram ajudar, levando-a para diversos cursos sobre redes sociais.
A virada, com o aumento de 30 mil para 300 mil seguidores, veio de um vídeo só em que ela contava a história de sua vida, compartilhado por um perfil de uma rede de informação que já tinha milhões de seguidores.
Já Suhellen entrou no mercado de trabalho de faxina com uma meta: trabalhar cinco vezes por semana para ter mais qualidade de vida. No outro lado da tela, o conteúdo no Instagram com dicas de limpeza, como misturinhas com vinagre para substituir produtos industrializados, começou a fazer sucesso.
Enquanto atuava como diarista, a relação com os patrões sempre foi equilibrada, mas ela reconhece que esse comportamento é uma exceção. Com o número de seguidores crescendo, Suhellen resolveu monetizar o que divulgava no perfil do Instagram.
A criadora de conteúdo também faz conteúdos para marcas, os “publis” em sua conta. Agora, pensa em tocar dois projetos: treinar uma equipe de diaristas ou capacitá-las para empresas e startups em que o serviço tenha o mesmo padrão.
Fonte: UOL Universa












