Comandante da PM paulista falará da queda de 80% nos assassinatos ocorrida no estado em 20 anos.
Por Rogério Pagnan – FolhapressEmbora ainda enfrente uma série de problemas na área da segurança pública, em especial com os crimes patrimoniais (como furtos e roubos), São Paulo vira case mundial na redução de homicídios dolosos (intencionais) e será um dos destaques do principal encontro anual de chefes de polícia nos Estados Unidos.
O representante do governo paulista nessa conferência internacional será o
comandante-geral da Polícia Militar, coronel Marcelo Viera Salles, que
explicará a representes de policias de várias partes do mundo como se deu a
redução de 80% das taxas de homicídios dolosos no estado, nos últimos 20
anos —algo raro em políticas públicas de redução da criminalidade violenta.
De acordo com os dados divulgados pelo governo paulista, São Paulo
registrava em 2001 uma taxa de 35,06 vítimas por grupo de 100 mil
habitantes e, no ano passado, ela chegou a 7,06, a menor do país. Os índices
apontam para nova queda em 2019: estava em 6,57 em agosto.
Segundo informações da Associação Internacional de Chefes de Polícia
(IACP), com 30 mil membros de 160 países, a conferência anual ocorrerá entre os dias 26 e 29 de outubro na cidade de Chicago. Salles falará no dia 27. É a 126ª edição do evento, que ocorre desde 1893.
Salles deverá falar sobre, o que chama, de uma “revolução silenciosa”
ocorrida nas polícias paulistas nas últimas duas décadas, com destaque à
gestão da Polícia Militar estruturada desde os anos 1990, de um comando
para outro, indicando uma ideia de polícia de estado e não de governos.
O comandante-geral também deve falar da filosofia de direitos humanos
desenvolvida na tropa e da aproximação da PM da sociedade, a chamada
Polícia Comunitária. Ainda em questões sociológicas, deve apontar com uma
das causas da redução dos homicídios o envelhecimento da população.
Sobre a interferência do crime organizado na redução dos homicídios
dolosos, como apontam especialistas de diversas áreas, Salles deve ressaltar
apenas alguns pontos. Deve falar sobre o isolamento de criminosos, como transferência dos chefes de facções, mas isso não deve ganhar grande
destaque.
Especialistas apontam o crime organizado paulista como um dos fatores de
redução de homicídios porque, diferente de outros estados, São Paulo não
tem guerra significativa entre facções. Há uma hegemonia
do PCC que controla quase todos os presídios e pontos de tráfico de drogas
no estado.
Sem as guerras por disputas de território, as mortes em decorrência delas
são pequenas, ao contrário do que ocorria nos anos 1990 e sangrentos finais
de semana.
No ano passado, segundo pesquisa Datafolha, 24% da população paulista
apontavam saúde e segurança (estavam empatados) como os principais
problemas do estado.










