Por Maria José Finardi
Ir e vir da escola todos os dias é um desafio para milhões de crianças e adolescentes brasileiros. Muitos fazem uso de transporte público ou escolar, outros vão sozinhos, a pé, em grupos ou acompanhados de pais e responsáveis.
De todo modo, devido ao crescimento cada vez mais acelerado das cidades, os percursos, sejam curtos ou longos, podem ser cheios de obstáculos a transpor. Atenção, cuidado e o respeito à sinalização e às leis são decisivos.
No ano passado, encomendamos uma pesquisa nacional – com jovens de 12 a 17 anos – para compreender melhor a relação deles com o trânsito. Para nossa surpresa, apenas 2,3% dos entrevistados acham o tráfego seguro no País. É importante destacar que a perspectiva deles sempre é de pedestres ou passageiros em veículos.
No estudo, eles indicam que os três aspectos que mais impactam na segurança são: dirigir após consumo de bebida alcoólica (70,6%); utilização do celular por motoristas e pedestres (53,7%) e excesso de velocidade (53,7%).
Mas, na semana em que se celebra o Dia Internacional do Pedestre (08/08), outro indicador nos fez revisitar o diagnóstico: a atitude imprudente dos jovens enquanto pedestres e passageiros.
O hábito de utilizar cinto de segurança não está totalmente assimilado: 1/3 dos meninos e meninas admitiram nem sempre utilizar o cinto no banco da frente e 65% afirmaram não utilizar no assento de trás. Na condição de pedestres, 74,1% acreditam ter uma conduta segura, porém, quando estão em turma de amigos, esse índice cai quase 30 pontos, chegando a 45,3%.
Essas informações nos fazem crer que a proteção desses jovens não depende apenas de vias sinalizadas, passagens de pedestres disponíveis e outros dispositivos de segurança para a travessia de ruas, avenidas e rodovias. A atitude consciente de todos os envolvidos com essa dinâmica, inclusive das próprias crianças e adolescentes, é fundamental, especialmente, em um contexto em que o trânsito assume, no Brasil e no mundo, uma das principais causas de morte.
Infelizmente, percebemos que mudanças de comportamento são geradas quando existe uma percepção sobre sua necessidade e por casos reais próximos. Em outras palavras, quando eles compreendem ou têm noção do perigo.
O ambiente escolar é, também, o local propício para falar sobre o assunto e sensibilizar toda a comunidade escolar. Por isso, precisamos que a educação para o trânsito alcance, com urgência, todos em idade escolar. Hoje, apenas 28,8% dos jovens brasileiros informaram que o tema é abordado em sala de aula.
Promover a educação e a cidadania em ruas, avenidas, rodovias e nos bancos escolares é essencial para formarmos cidadãos mais conscientes sobre suas ações e mais responsáveis pelo respeito à vida.
* Maria José Finardi é pedagoga, pós-graduada em Metodologia de Ensino e com qualificação em áreas como formação e orientação de projetos interdisciplinares, além de especialista em Responsabilidade Social e Sustentabilidade Empresarial. Com mais de 30 anos de experiência, coordena há 17 anos o Projeto Escola Arteris, programa de capacitação de professores e conscientização de alunos da rede pública de ensino do grupo Arteris. Hoje é também, coordenadora de Sustentabilidade do grupo.

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