Usuários da suíte de software livre ganharam opção inclusiva.
Desenvolvido pelo Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro. LibrasOffice permite maior autonomia para deficientes auditivos no dia a dia e tanto no estudo como no trabalho.
Afinal ele foi projetado para auxiliar os deficientes auditivos no uso da suíte digital de escritório LibreOffice. E a alternativa é gratuita aos programas de edição de texto, planilhas e apresentações de grandes empresas.
“O usuário passa o mouse sobre um ícone ou item de menu, ou mesmo de um sub-menu, e aparece na extremidade inferior da tela uma pessoa dizendo o que é aquela funcionalidade em Libras. Quer dizer, o surdo ou surda passa a ter um intérprete de Libras à sua disposição”, afirmou o professor Henrique Cukierman, do Programa de Engenharia de Sistemas e Computação (PESC) da Coppe, que coordenou o processo de desenvolvimento do software.
Segundo Henrique, a nova funcionalidade é bastante importante para a comunidade de Libras, já que por regra eles usam a língua de sinais, e não a língua portuguesa.
E o aplicativo foi lançado no dia 16 de abril pelo Laboratório de Informática e Sociedade (LabIS) da Coppe/UFRJ.
Assista ao evento na íntegra:
O professor Cukierman informou que o leitor está disponível para surdos e ouvintes para os sistemas Microsoft e Windows e Linux. E com explicações em Libras e em português. E com isso o aplicativo oferece um formulário de contato com a comunidade surda. Afinal, devido à extensa quantidade de ícones, nem todos foram traduzidos para Libras até o momento.
E Henrique Cukierman disse que aceita contribuições de quem adicionar sinais para funcionalidades não traduzidas para Libras. “O aplicativo está aberto a contribuições externas tanto em termos de sinais, como também para compartilhar com a comunidade.”
O projeto
Do mesmo modo, o projeto surgiu de uma demanda da UFRJ de 2015 para auxiliar no treinamento de 20 pessoas com deficiência. Com isso contratadas pela Fundação Coppetec. Que é afinal responsável pela administração dos projetos da Coppe, no âmbito do projeto Coppe Inclusão. Ou seja, desse total, um terço era portadora de deficiência auditiva.
Logo depois Cukierman explicou que a demanda foi levada ao curso Computadores e Sociedade. Ali, os alunos se dividem em grupos e têm de realizar um projeto de conclusão do curso. “Esse foi um dos projetos do fim de disciplinas, em 2015”. O professor observou que ele ainda tinha uma perspectiva mais teórica. “Então, tiramos a teoria, fizemos um protótipo e criamos um aplicativo no LabIS.”
Sob a coordenação do professor Cukierman, os estudantes Jônathan Elias e Eduardo de Mello desenvolveram o programa. O projeto também contou com a colaboração de Fernando Severo e Pedro Braga, e doutorandos da Coppe.
Frequentemente o programa foi testado com sucesso na Faculdade de Letras da UFRJ, nas aulas de introdução à informática no curso de Letras Libras, em 2018. Os intérpretes consideram que o programa, por ser um software bilíngue (português e Libras), é útil também para as pessoas que interagem com os surdos, pois podem expandir o seu vocabulário de Libras e ajudar o ouvinte a aprender.
Expectativa
Afinal, a expectativa é que o aplicativo poderá beneficiar um universo de, pelo menos, 12 milhões de pessoas surdas. De acordo com o Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
E um dos funcionários da Coppe, Adilson, considerou positiva a iniciativa da instituição em auxiliar a comunicação entre ouvintes e surdos. Para ele, o LibrasOffice “deve ser mostrado em palestras, para que surdos e ouvintes conheçam sua importância.”
