Em situações normais, o que mais as empresas querem é diminuir o turnover – que é, de forma bastante simplificada, a rotatividade de funcionários.
Além de prejudicar o desempenho das equipes, que precisam alinhar a comunicação a cada nova entrada ou saída, esse vaivém de funcionários diminui a autoridade dos líderes, pode denunciar um problema interno da empresa e, em muitos casos, gera problemas financeiros difíceis de sanar.
Para manter os talentos por perto, evitando que comecem a gerar frutos na concorrência, e para aumentar o bem-estar e a segurança dos trabalhadores, as companhias têm investido pesado em benefícios corporativos, mas também na criação de um RH forte, capaz de promover estabilidade e tranquilidade entre setores.
Desde o início da pandemia do coronavírus, no entanto, temos ouvido relatos de empresas que, sem os lucros habituais, têm tido que dispensar funcionários – inclusive os de longa data. A expectativa era que isso viesse a melhorar depois de um tempo, mas um ano depois, as notícias ainda não são boas.
Segundo estudo publicado no finalzinho de março pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o desemprego no Brasil ficou em 14,2% no trimestre encerrado em janeiro. Falaremos mais sobre o assunto a seguir.
Desemprego no Brasil: entenda melhor
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad), o número de pessoas desempregadas no país atingiu o patamar de 14,3 milhões, contra 11,9 milhões do ano passado.
Trata-se de um patamar histórico, infelizmente: é o maior contingente de brasileiros desocupados desde o início da pesquisa, que começou em 2012. Até então, o maior número havia sido de 14,1 milhões de desempregados, em março de 2017.
Outras informações da pesquisa são as seguintes:
- O número de ocupados chegou a 86 milhões, 2% a mais do que na pesquisa anterior;
- Das pessoas em idade de trabalho, apenas 48,7% estavam ocupadas;
- A taxa de informalidade subiu para 39,7% da população ocupada;
- Há a subutilização de 32,4 milhões de brasileiros (ou seja, falta trabalho);
- Cerca de 5,9 milhões de pessoas desistiram de procurar uma oportunidade de trabalho;
- A taxa de desemprego de 14,2% é a maior taxa para um trimestre encerrado em janeiro.
Para que tenhamos uma idade da seriedade do problema, vamos avaliar os demais índices por trimestre, segundo a Pnad.
Entendendo melhor os índices da pesquisa
No trimestre finalizado em janeiro, em 2020, a taxa de desemprego era de 11,2%. Ela passou para 11,6% no trimestre finalizado em fevereiro e, no trimestre finalizado em março, pulou para 12,2%. A partir daí, houve uma evolução constante da taxa de desemprego, que alcançou 14,6% no trimestre finalizado em setembro de 2020.
Em comparação com os meses de agosto a outubro de 2020, o IBGE considerou que a taxa de desemprego ficou estatisticamente estável. Em relação ao mesmo trimestre móvel de 2020, a alta foi de 3 pontos percentuais, bastante significativa.
Convém dizer que, embora a taxa de desocupação tenha ficado estável, é a maior taxa para um trimestre até janeiro, o que pode servir de alerta para as empresas e para os trabalhadores, que têm se sentido inseguros e instáveis perante o mercado e suas oscilações.
Ocupação no Brasil: o que significa a alta de 2%?
Como comentamos há pouco, o número de pessoas ocupadas aumentou em 2%, alcançando o patamar de 86 milhões. Na prática, houve a inserção de 1,7 milhão de pessoas a mais no mercado, em relação ao trimestre encerrado em outubro.
Isso não significa, porém, que estamos diante de notícias tão animadoras. A população ocupada ficou 8,6% abaixo da registrada há um ano, ou seja: houve a saída de 8,1 milhões de pessoas do mercado de trabalho.
O nível de ocupação, que é o percentual de pessoas ocupadas em idade ativa, ficou em apenas 48,7%, o que nos diz que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no Brasil de 2021.
A expansão de 2% na população ocupada é a maior para um trimestre encerrado em janeiro, talvez pelo breve respiro que o mercado teve nos meses de novembro e dezembro, com as festas de fim de ano e levíssima melhora econômica.












