Investigação descarta participação de cúmplice em assassinato de obstetriz

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Nelly Cristina Venite de Souza Maria foi morta pelo namorado com 16 facadas em Conchal (SP).

A Polícia Civil de Conchal (SP) descartou a participação de um cúmplice no caso da obstetriz assassinada com 16 facadas no dia 19 de maio na cidade. O suspeito de cometer o crime foi preso um dia depois em Minas Gerais e ainda não foi transferido para São Paulo.

O delegado Alexandre Ferraciolli Pereira disse nesta sexta-feira (29) que Emilson Rodrigues de Jesus, vizinho da vítima com quem ele mantinha um relacionamento há um mês, agiu sozinho ao esfaquear e matar a namorada.

Inicialmente uma testemunha teria relatado à Guarda Civil Municipal (GCM), que atendeu a ocorrência, ter visto o suspeito deixar o apartamento da obstetriz após o crime e fugir no carro dela com outra pessoa.

“Não há confirmação da participação de terceiros. Isso não se confirma pela perícia com informações colhidas no local e não se confirma por prova testemunhal. Também não há imagens, como foi cogitado inicialmente, que apontam a participação de terceiros”, afirmou o delegado.

Motivação

Caso é investigado pela Polícia Civil de Conchal, SP (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

Caso é investigado pela Polícia Civil de Conchal, SP (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

O delegado preferiu não comentar a motivação do crime até que a investigação seja concluída. Segundo ele, três testemunhas já foram ouvidas.

“Precisamos de todos os dados reunidos. Faltam ainda laudos periciais e informações complementares do Instituto de Criminalística (IC). Eventualmente alguma outra testemunha pode ser ouvida”, disse.

O autor do crime ainda não foi interrogado porque está detido desde o dia 20 do mês passado no presídio de Teófilo Otoni (MG).

De acordo como delegado, o processo de transferência depende de algumas burocracias. A Justiça de Conchal já fez a solicitação e o ingresso do preso na cadeia de Limeira (SP) está autorizado. A expectativa é que o processo seja concluído até a próxima semana.

O suspeito, que até então não tinha passagem pela polícia, vai responder pelos crimes de homicídio, roubo de veículo e tráfico de drogas.

O crime

Kitnet onde a vítima morava em Conchal (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

Kitnet onde a vítima morava em Conchal (Foto: Gean Mendes/F5 Conchal)

O corpo de Nelly Cristina Venite de Souza Maria, de 27 anos, foi encontrado pela GCM no prédio onde ela morava, no bairro Porto Seguro, com ferimentos na cabeça, braços e tórax, além de sinais de estrangulamento.

De acordo com a GCM, um vizinho contou ter ouvido a vítima pedir socorro por volta das 3h e acionou as autoridades. Quando os gritos cessaram, ele viu o suposto namorado sair da kitnet onde a moça morava.

Os guardas municipais entraram na casa do suspeito e encontraram 64 pinos de cocaína. Uma faca com marcas de sangue também foi apreendida.

Emilson foi preso um dia depois pela Polícia Militar de Malacacheta, cidade mineira distante a 983 km de Conchal. O suspeito estava com o carro da vítima, um Gol verde.

Amável e inteligente

AO-USP divulga carta de pesar e repúdio sobre morte de obstetriz  (Foto: Reprodução/EPTV)

AO-USP divulga carta de pesar e repúdio sobre morte de obstetriz (Foto: Reprodução/EPTV)

Cunhado da vítima, Eduardo Freitas disse que Nelly era uma pessoa amável e inteligente. Formada em obstetrícia pela Universidade de São Paulo (USP), ela trabalhava como obstetriz há três meses no Hospital e Maternidade Madre Vaninni de Conchal.

A morte da obestetriz causou repercussão no país. A Associação de Alunos e Egressos do Curso de Obstetrícia da Universidade de São Paulo (AO-USP) publicou na rede social uma carta de pesar e repúdio.

Três dias após o crime, cerca de 200 pessoas fizeram uma manifestação em Conchal pedindo justiça pela morte de Nelly.

Por Fabio Rodrigues, G1 São Carlos e Araraquara


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