Ipês-amarelos ficam floridos em um período que varia de um a quinze dias; antecipação ou atraso da florada estão relacionados às mudanças no clima.
Por várias partes do Brasil o tom amarelo tem se tornado predominante desde agosto. Isso se dá graças ao esplendor das flores dos ipês-amarelos, que podem ser contempladas em algumas regiões também durante o mês de setembro. Tanto nas matas, como em áreas urbanas, essas árvores se destacam pelo colorido e pela capacidade de transformarem completamente a paisagem na qual estão inseridas.
Mas essa mudança no visual e beleza tem prazo curto de duração: geralmente não ultrapassam os 15 dias. “A duração da floração varia de uma espécie para outra, mas o mais comum é um indivíduo florescer em um intervalo de uma semana a 15 dias”, explica Lúcia Lohmann, pesquisadora e professora do Departamento de Botânica do Instituto de Biociência da Universidade de São Paulo (USP).
Apesar de o nome “ipê” ser utilizado de forma generalizada, o nome engloba uma robusta variedade de espécies. De acordo com a profissional o termo faz referência a duas linhagens diferentes: o gênero Tabebuia e o gênero Handroanthus.
Estima-se que no mundo existam ao menos 100 espécies de ipês, sendo que no Brasil ocorrem 40 delas, e 20 são exclusivas do nosso território. “Das quarenta espécies que ocorrem no nosso país, 25 são ipês-amarelos, oito são ipês-brancos, e sete são ipês-rosa. É interessante notar também que apesar de termos 40 espécies de ipês no Brasil, apenas cinco delas são utilizadas como ornamentais no país todo, então a gente tem um potencial enorme, várias outras espécies que poderiam ser usadas nesse sentido”, acrescenta Lohmann.
Uma curiosidade é que apesar de cada uma delas apresentar suas particularidades, os ipês de modo geral têm características em comum, como por exemplo, o fato de florescerem no inverno. “Eles gostam geralmente do clima seco, as espécies que florescem nessa estação são as que gostam de plantas com dias mais curtos, a queda da temperatura no inverno é um fator que auxilia na floração, além do clima seco”, pontua a pesquisadora.
Desta forma essas árvores podem ser consideradas até bioindicadoras do clima. Não é à toa que em 2021 a floração do ipê-amarelo, por exemplo, está mais intensa. Esta questão está relacionada justamente ao fato do clima estar mais seco se comparado com anos anteriores.

Ordem natural
Os ipês-rosa florescem entre junho e julho, já os ipês-amarelo florescem entre agosto e setembro e os ipês-branco florescem em outubro. Na natureza as diferentes cores dos ipês florescem em uma “ordem”, porém, esse ciclo também pode ser alternado.
Não é difícil encontrar ipês florescendo com antecedência ou até mesmo atrasados dentro do que seria previsto. “O clima é que vai determinar a floração, e como a gente tem variações no clima, isso faz com que o início e o final da floração se alterem, assim como a intensidade dela.”, explica.
Como é possível perceber, a floração dos ipês, independente da espécie e da cor, ocorre uma vez ao ano. Essa é uma estratégia para a espécie se propagar. “A floração concentrada em uma época é uma estratégia para aumentar a produção de flores e vira um grande atrativo para os polinizadores. Mas temos casos de ipês que florescem mais de uma vez, e ai, geralmente, o que acontece é que, ao invés dessa árvore ter uma floração intensa, ela tem duas floradas que são menos intensas e novamente isso é regulado por questões do clima”, finaliza.
Levando em consideração o clima seco de 2021, a pesquisadora já adianta que a florada dos ipês-brancos em algumas regiões já está antecipada, e também será intensa como dos ipês-amarelos.













