Justiça prorroga prisão temporária de médium suspeito de abusos sexuais

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Prorrogação é válida por mais cinco dias, período em que a delegada responsável pelo caso pode ouvir mais vítimas ou testemunhas dos abusos. Até o início da tarde desta terça-feira (3), 11 pessoas já haviam sido ouvidas.

A Justiça de Limeira (SP) prorrogou por mais cinco dias a prisão temporária do suposto médium preso no final de agosto por suspeita de abuso sexual. De acordo com a Polícia Civil, a delegada responsável pelo caso aguarda mais pessoas para serem ouvidas nesta terça-feira (3) na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade.

Após o cumprimento do novo prazo, a Polícia Civil pode pedir a prisão preventiva do suspeito ou liberá-lo. No sábado (31), a delegada Andréa Arnost disse acreditar que já havia um conjunto robusto de provas suficientes para decretar a prisão preventiva.

“Algumas vítimas ele mantinha a relação sexual completa. Com outras, ele praticava outros atos libidinosos diversos, como carícias, mandava tirar a roupa, passava as mãos pelo corpo”, relatou a delegada.

Até o momento, 11 pessoas, entre vítimas e testemunhas, já prestaram depoimento sobre o caso. A polícia acredita, entretanto, que o número de vítimas pode chegar a 30.

Suposto médium

Conhecido como Santo Lacava, o médium foi detido na tarde do dia 29 de agosto por abusos sexuais contra ao menos quatro mulheres em um centro espírita clandestino em Limeira. Ainda na noite do mesmo dia outras duas testemunhas foram ouvidas.

O boletim de ocorrência acusava o idoso de violação sexual mediante fraude e estupro de vulnerável, porque, a princípio, sabia-se que ao menos uma das vítimas, quando teria sido abusada por ele, tinha apenas 10 anos de idade, segundo a delegada responsável pelo caso.

O médium permaneceu calado durante o depoimento e, segundo o advogado de defesa informou à delegada, ele vai se manifestar somente em juízo. Ao deixar a delegacia para ser transferido para uma carceragem da cidade, ele negou os crimes. “Tenho minha cabeça tranquila, graças a Deus”, disse.

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o caso é investigado por meio de inquérito policial instaurado pela DDM de Limeira e está em segredo de Justiça.

Os abusos

De acordo com investigações da Polícia Civil, o centro espírita comandado pelo suspeito funcionava em uma edícula em sua própria residência, no Bairro dos Pires. As vítimas disseram que eram levadas para um quarto escuro da casa, onde o médium alegava receber uma entidade espírita chamada “índio”.

“Eram feitas orações e depois, individualmente, ele atendia uma por uma. Pedia para que elas tirassem a roupa, deitassem na cama e fazia todo um ritual. Ele dizia que era para fins de tratamento aproveitando da fé que elas tinham. Elas acreditavam mesmo que era um espírito superior que estava ali para fins de cura. Ele explorava a fé dessas mulheres”, diz a delegada.

Segundo a delegada, todas as vítimas relataram que foram forçadas a ter relações sexuais com o suspeito. “Isso não aconteceu só uma vez, era de forma continuada. Isso se repetiu por várias vezes e chegava à conjunção carnal completa”, relata Andréa.

O advogado do suposto médium, Thiago Treinta, alegou que no local não funcionava um centro espírita, e que seria apenas sua residência e um espaço de encontro dele com os amigos.

“Ele apenas se reúne com amigos e familiares. Essas acusações são inverídicas, tanto que nós estamos providenciando testemunhas para serem ouvidas na delegacia. Não era algo organizado, não havia recebimento de recursos. Era um culto privado de um indivíduo na casa dele, com amigos e conhecidos praticando a religião”, alega Treinta.

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