‘Não sabia’, diz delegado.
mãe das meninas de 10, 11 e 12 anos que sofreram abuso do pai em Paulínia (SP) não sabia que elas eram vítimas do marido, mas desconfiava de preservativos encontrados em casa. Delegado responsável pelo caso, Rodrigo Galazzo relatou nesta terça-feira (8) que ela ficou “em estado de choque” ao saber dos abusos. A pena do pai deverá passar de 30 anos de prisão.
O caso chegou à Polícia Civil depois que a motorista da van escolar que transporta as crianças recebeu um bilhete escrito pela garota de 11 anos denunciando a violência a uma amiga. “Eu sofro abuso do meu pai”, diz o texto.
A mãe prestou depoimento nesta segunda (7) na delegacia, e disse a Galazzo que há cerca de um ano – mesmo tempo de ocorrência dos abusos relatado pelas filhas – começou a ver os preservativos ainda embalados, no interior da residência.
As três meninas, e mais duas irmãs de 6 e 17 anos, estão sob a custódia da mãe, têm o apoio do Conselho Tutelar e serão encaminhadas pela Polícia Civil a tratamento psicológico.
O homem, de 56 anos, trabalha como vigilante e está preso preventivamente por 30 dias por estupro de vulnerável, na cadeia anexa ao 2º DP de Campinas.
‘Estado de choque’
Na última sexta, quando o homem foi preso, a polícia esteve na casa da família para convocar a mãe e também solicitar o endereço do trabalho dele, onde ele foi detido. Galazzo afirma que a mulher só foi informada sobre os abusos quando chegou na delegacia.
No depoimento, a mãe disse que não percebeu nenhuma mudança no comportamento das filhas, nem mesmo na presença do pai. A família é de pessoas muito simples e quase sem diálogo, segundo Galazzo.
Entre as meninas, a de 11 anos relatou à polícia que houve penetração – um laudo comprovou rompimento do hímen – e as demais disseram que houve tentativa e que ele passava a mão nelas. O homem confessou que acariciava as filhas, mas negou penetração.
“Quando as irmãs a viram [a de 11 anos], elas se abraçaram e percebi que a sensação delas era de que estavam livres de um monstro”, completa Galazzo.
Pena
Galazzo explica que a pena do pai se agrava pelo grau de parentesco, pelo número de vítimas e pela frequência com que tudo acontecia.
“Ele praticou os atos várias vezes, isso é crime continuado. E o concurso material porque são três vítimas diferentes, e tem o agravante de ele ser ascendente das vítimas. Passa de 30 anos [de prisão]”.
As filhas de 6 e 17 anos não foram vítimas do pai, aponta a investigação.
‘Anjo da guarda’
O delegado alerta para a necessidade de, em casos como este, quem souber de um relato leve as informações para que a Polícia Civil possa investigar.
Segundo ele, a motorista da van foi quem deu conhecimento ao bilhete que pedia socorro.
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