Rafaella, de 5 anos, foi discriminada por outras crianças, e o caso desperta a atenção para o modo como os pequenos reproduzem comportamentos dos adultos.
Rafaella Leonarda tem apenas cinco anos, e já sofreu na pele as consequências do racismo ainda tão presente na sociedade. Em um dia comum, durante o trajeto para a escola, a pequena foi impedida de brincar com seus próprios colegas. Uma das crianças que divide a van escolar com ela, disse que a pele de Rafaella era “escura demais” para tocar na bola dele, que era tão clara.
A situação – denunciada pela mãe, Renata Germano, em um post no Facebook – revela duas questões alarmantes: o racismo ainda latente nas relações sociais, e a naturalidade com que as crianças reproduzem discursos e comportamentos preconceituosos dos adultos.
Daí a importância de tratar o tema com seriedade e transparência, e enfrentar o preconceito e a intolerância sem receio de envolver as crianças no debate.
Depois de compartilhar a história nas redes, Renata recebeu centenas de manifestações de apoio, e o relato já tem mais de 150 mil reações e mais de 4O mil compartilhamentos. As duas moram em São Bernardo do Campo, região do ABC paulista, e conversam abertamente sobre manifestações de intolerância.
Em entrevista, Renata falou sobre a importância de os adultos assumirem uma postura firme e consciente em relação ao racismo, e defende o diálogo aberto, tanto em família quanto na sociedade, como forma de empoderamento infantil.
“A primeira reação da Rafa foi o choro, um choro por não compreender o fato de o amigo não gostar da pele dela. Ser desprezado é muito ruim! E a Rafa sentiu isso na pele – e pela pele, literalmente. Conversamos assim que ela saiu da van e ela reagiu de maneira super positiva. Trabalho a cabecinha dela diariamente para isso”, conta a mãe.
Renata conta que esta não é a primeira discriminação racial vivida pela filha, que hoje estuda em um colégio particular e bilíngue. “Lembro de um episódio, que numa escola de 405 crianças, Rafa era a única negra! Dentre todas, ela foi escolhida para interpretar o Saci na festinha de fim de ano. Ela chorou muito, não queria ser ‘um menino’, e eu não permiti que ela participasse, pois achei a escolha pejorativa e preconceituosa. Tantos meninos na escola e eles escolhem a única menina por ser preta?”, relembra.
Sobre o papel da família e responsáveis pela criança na tomada de consciência sobre o racismo, ela destaca a importância de empoderar as crianças para a autoaceitação e respeito por si próprias e pelo outro. “A auto-estima é transformadora. Ela te faz entender que você não depende da aprovação do outro. Minha filha ama seu cabelo, sua cor, seus traços, cada pedacinho dela. Pois eu penso que se você cresce querendo ter outro cabelo, um nariz mais fino, uma pele mais clara, você acaba não se aceitando e sendo infeliz”.
“O racismo dói. Uma criança pensante se torna um adulto mais consciente, nosso trabalho é orientar e ensinar”, defende Renata.
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