Médico brasileiro que integra comitê da OMS diz que vacina para gripe deve alcançar ‘maior número possível de pessoas’

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João Paulo Dias de Souza, do Departamento de Medicina Social da USP Ribeirão Preto (SP), afirma que profissionais de saúde terão dificuldades para diferenciar Covid-19 e gripe.

Único representante brasileiro no comitê da Organização Mundial de Saúde (OMS), que discute diretrizes para a prevenção de doenças, o médico João Paulo Dias de Souza, do Departamento de Medicina Social da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto (SP), diz que a vacinação para a gripe deve alcançar o maior número possível de pessoas.

Segundo Dias, por causa da circulação do novo coronavírus no Brasil, os profissionais de saúde terão dificuldades para diferenciar o que é gripe e o que é Covid-19, devido aos sintomas parecidos, como tosse, febre, fadiga e dor de garganta.

“A avaliação que a gente faz é de realmente vacinar o maior número de pessoas. É bom lembrar que a gente vai estar enfrentando três epidemias: a gente tem corona, a dengue e vindo aí a gripe também.”

A maior quantidade de pessoas imunizadas para Influenza pode, segundo o especialista, ajudar a reduzir até mesmo o impacto do atendimento nos hospitais.

No estado de São Paulo, a campanha de vacinação contra a gripe começa na segunda-feira (23) nos postos de saúde. A prioridade na primeira semana é imunizar idosos. O governo de São Paulo anunciou que a vacina também será oferecida gratuitamente em farmácias a partir do dia 13 de abril.

Ainda segundo Dias, a maior parte das pessoas com infecção pelo Sars-Cov-2 virá a ter quadros leves ou assintomáticos.

“Felizmente, a menor parte da população vai precisar de algum suporte, como hospitalização e eventualmente um suporte de oxigênio na respiração. É uma parte pequena que vai desenvolver a insuficiência respiratória e uma complicação de maior gravidade.”

Busca por medicamentos sem eficácia comprovada

De acordo com Dias, a busca da população por medicamentos ainda sem eficácia científica comprovada contra o coronavírus é desnecessária e prejudica pacientes que precisam das drogas para tratar outras doenças.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirmou que não tem recomendação para uso de remédios com hidroxicloroquina e cloroquina no tratamento da Covid-19.

As substâncias estão presentes em medicamentos contra a malária, reumatismo, inflamação nas articulações, lúpus, entre outros, e estão em falta nas farmácias brasileiras. Nesta sexta-feira (20), a Anvisa decidiu enquadrar a hidroxicloroquina e cloroquina como medicamentos de controle especial.

“Existem alguns estudos preliminares que sugerem um benefício, mas algo que vocês todos vão perceber ao longo desta pandemia é que as informações são muitas e, mesmo os comitês que estão analisando essas informações, precisam de um tempo e mais informações para fazer recomendações”, afirma Dias.

O especialista diz que os recentes estudos divulgados por China e Japão, por exemplo, sobre drogas com resultados promissores contra a Covid-19, ainda são preliminares.

“Quando a gente faz um estudo um pouco maior, percebe que pode não funcionar ou que os efeitos muitas vezes são importantes e significativos. É importante, nessa fase, a gente ter calma”, afirma.

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