Moradora de rua transexual que viralizou na web ganha um lar temporário em Campinas, SP

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Adriana Cavalcanti deixou as calçadas e o sereno das ruas após 17 anos; Quarto cedido por comerciante serve para o “recomeço”.

No lugar das estrelas, duas lâmpadas fluorescentes. Em vez do frio e da chuva, calor e conforto. Depois de 17 anos sobrevivendo nas ruas de Campinas (SP), a transexual Adriana Cavalcanti, de 29 anos, recebeu a chance de viver com um pouco de dignidade. O pequeno cômodo, cedido temporariamente por um comerciante, é mais do que poderia imaginar, avisa. “Maravilhoso isso aqui.”

Adriana viralizou na web ao aparecer em um vídeo onde opina sobre a greve dos caminhoneiros, em maio deste ano. Ao G1, em junho, contou sobre a paixão por literatura e como buscou nos textos um refúgio em tantos anos na solidão das ruas. Na ocasião, disse que tinha o sonho de deixar as ruas. E conseguiu.

O lar temporário foi rapidamente preenchido pelas poucas coisas que tinha, e pelas muitas doações que recebeu desde que sua história ganhou notoriedade. Há ração para os três cães, companheiros inseparáveis, e livros para matar a fome de conhecimento.

“O maior tempo da minha vida eu passo aqui agora. Aqui dá para pensar, fazer um monte de coisas. Estou me acostumando perfeitamente. Esta divino para mim”, diz Adriana.

A pequena casa fica na região onde a transexual viveu no último ano, próximo ao Cemitério da Saudade. Foi cedida por Joaquim Sales Santos, de 60 anos, apelidado por Adriana como “Paiquim”.

Dono de uma marmoraria, Santos já permitia que ela tomasse banhos regulares no local e guardasse alimentos na geladeira. O empurrão para ceder o espaço veio depois de uma conversa com Orlailson Araújo, autor do vídeo da Adriana que circula na rede.

“É provisório, não é pra sempre. Por enquanto vamos deixar para ela morar até achar um outro lugarzinho na região. É uma suíte pequena, mas tá bom. Não pega chuva, não pega frio”, avisa o comerciante.

Nova realidade

Após cinco noites sob um teto de alvenaria, Adriana confessa que ainda está assimilando a mudança. “Eu e os cães estamos nos acostumando. Depois de assentar nossas almas e corações, vou pensar o que fazer a partir daqui. Eu quero que seja possível um crescimento”, diz Adriana.

As impressões, no entanto, são positivas. Principalmente por fugir do vento e do frio que castigam os desabrigados. “Não bate vento forte aqui dentro. Depois que eu deitei, taquei uma coberta e parecia que estava em braços divinos.”

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