Mulher curada do coronavírus no interior de SP conta sobre isolamento: ‘a gente sente medo’

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Marli Aparecida Barbosa pode ter contraído o vírus durante uma viagem em um cruzeiro; ela foi uma das primeiras pacientes infectadas da região de Piracicaba (SP).

Por Caroline Giantomaso, G1 Piracicaba e Região

Em meio aos casos crescentes de contaminação pelo novo coronavírus (Covid-19), a preocupação e medidas preventivas, histórias de quem se curou do vírus mostram que é possível passar por isso – e renovam as esperanças em tempos de pandemia.

É o caso de Marli Aparecida Barbosa, de 58 anos, empresária do ramo de beleza de Águas de São Pedro (SP). Ela foi uma das primeiras pessoas diagnosticadas com a Covid-19 na região de Piracicaba (SP) e conta como foram os sintomas, cuidados e diagnóstico, até a cura total.

“A gente fica com muito medo, muito inseguro, porque os resultados dos exames são demorados, ainda não estão sabendo lidar direito com a situação. Você fica preocupado com as pessoas que você teve contato, de passar para os outros”

Tudo começou com uma viagem que decidiu fazer com a família para comemorar o aniversário da filha. Eles optaram por fazer um cruzeiro que saiu de Santos (SP) e foi até Camboriú (SC). “Havia muitos estrangeiros nesse navio”, contou. Hoje, a principal suspeita é que ela tenha sido infectada durante a viagem.

No início de março, quando a ameaça do coronavírus ainda era distante da realidade de quem vive em uma cidadezinha com pouco mais de três mil habitantes no interior de São Paulo, a viagem de quatro dias foi tranquila. O problema maior veio depois.

“Eu cheguei no dia 12 e já fui para o meu trabalho, eu tenho um salão de beleza. Trabalhei dia 12, 13 e 14. Só que no dia 14 eu me senti muito cansada e tive um pouco de febre”, contou Marli. E foi nesse momento que a preocupação começou, então ela decidiu ir ao pronto-socorro da cidade.

Ao contar toda a situação e ser examinada, o médico diagnosticou uma inflamação de garganta e indicou uma injeção de Benzetacil – antibiótico normalmente usado para infecções bacterianas. Nesse momento, ela não fez nenhum teste para Covid-19.

“Eu tomei a injeção e fui embora. Assim que eu cheguei em casa, tive uma convulsão. Eu não vi nada, quem viu foi a minha família, minha mãe, minha filha e meu marido. Foi muito feia”, relatou.

Ela voltou de ambulância ao pronto-socorro e foi medicada novamente. No dia seguinte já estava bem, mas decidiu procurar um infectologista. “Eu fiquei preocupada porque eu nunca tive convulsão na vida.”

Marli consultou o especialista em Piracicaba, contou tudo o que aconteceu e foi orientada a fazer o exame para detectar se tinha sido infectada com o coronavírus. Ela e o marido fizeram dois exames cada, um no Instituto Adolfo Lutz e outro em um laboratório particular.

Foi o segundo exame que chegou primeiro, depois de uma semana, e deu positivo para a Covid-19 para ela. O caso positivo dela e a cura foram atestados pela Prefeitura de Águas de São Pedro.

“Eu tinha que ficar mais quinze dias em casa, de quarentena, e depois eles iam repetir o exame. Na semana passada fizeram o teste em mim, no meu marido e na minha filha, porque a gente ficou na mesma casa. E aí saiu o resultado que eu estava curada e que minha filha e meu marido não pegaram o vírus, graças a Deus”, comemorou.

Sintomas e isolamento

Sem dúvidas, Marli afirma que o pior que sentiu foi a convulsão. Depois disso, durante o isolamento teve febre baixa, dores no corpo e sentiu diferenças no paladar e olfato. “Não sentia gosto e cheiro das coisas. Tive um cansaço… eu dormi bastante, dá muito sono. Eu estava muito preocupada com o pulmão, de não conseguir respirar, mas não tive isso.”

Para o isolamento, uma das medidas que ela tomou foi levar a mãe, que mora junto com ela e é idosa, para a casa da irmã, em Piracicaba, para evitar a contaminação. Marli optou por não se isolar em um quarto da casa e deixar o marido e a filha separados, porque eles já tinham tido contato e viajado juntos. Por isso, a quarentena foi dentro de casa, mas os três juntos.

“É uma doença preocupante, a gente tem que tomar os cuidados, mas a gente também tem que ter tranquilidade, porque passa.”

A dica que ela dá para todos é ter uma boa alimentação e cumprir o isolamento. “O melhor é ficar em casa até que as autoridades e a medicina vejam qual é a solução para esse problema. Principalmente os idosos e as pessoas que já têm alguma doença”, finalizou.

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