‘Não vamos arredar o pé’, diz caminhoneiro de Rio Claro, SP, que está paralisado no Ceará

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Cristiano da Silva Garcia diz que os caminhoneiros não acreditam no governo e esperam um posicionamento da liderança da paralisação.

O caminhoneiro de Rio Claro (SP) Cristiano da Silva Garcia, de 31 anos, que está parado em Penaforte (CE), diz que os caminhoneiros não irão acabar com a paralisação enquanto a redução do preço não atingir todos os combustíveis.

Ao menos cinco entidades de caminhoneiros ouvidas pelo G1 nesta segunda-feira (28) dizem que aceitam a proposta feita pelo governo para encerrar a greve que já dura 8 dias. Elas afirmam que estão comunicando os grevistas sobre o fim do movimento.

“Nossa briga não é só pelo óleo diesel, estamos brigando por causa da alta de combustível, se trata do diesel, do etanol, do querosene, da gasolina, é tudo!. Não vamos arredar o pé enquanto não tiver uma coisa concreta mesmo”, disse.

Garcia levava uma carga de 52 toneladas de arroz de Camacuã (RS) para Fortaleza (CE), uma viagem de 4,2 mil quilômetros, mas, na segunda-feira (21), a 550 km do seu destino, resolveu parar em um posto fiscal junto com outros caminhoneiros.

Posto fiscal no Ceará tem centenas de caminhões parados (Foto: Arquivo pessoal)

Posto fiscal no Ceará tem centenas de caminhões parados (Foto: Arquivo pessoal)

Ele já sabia da greve desde sábado (19), quando foi avisado pelo WhatsApp, canal oficial de comunicação entre os caminhoneiros paralisados.

“Recebemos mensagem de que tinham enviado as reivindicações três vezes para o Palácio do Planalto e não tinham dado importância e que a partir da meia noite de domingo todo mundo devia começar a parar”, contou.

É pelo WhatsApp também que ele está se atualizando com as notícias da paralisação e que aguarda a orientação para voltar para a estrada.

“Aqui onde nós estamos tem uma pessoa e ele tem o contato direto com o “Chorão” (Wallace Landim, líder caminhoneiro do Centro-Oeste). Cada um dos locais onde tem caminhão parado tem uma pessoa que responde por todos os caminhoneiros. Então só quando tiver uma mensagem no WhatsApp concreta desse rapaz que está brigando lá [em Brasília], dizendo que bateu o martelo, que tá tudo liberado é que pode voltar”, afirmou.

Greve organizada

Caminhoneiro há sete anos e meio, Garcia considera essa a greve mais organizada que ele vivenciou.

“Essa greve foi a que rendeu mais, foi mais para a frente, porque foi mais conversada, mais planejada. Da outra vez pararam carro, pararam moto , foi uma bagunça e o Michel Temer se aproveitou da situação que estava uma baderna, falou que ia baixar [o combustível], os caminhoneiros voltaram a trabalhar e nada aconteceu”, disse.

Ele já sofreu pressão do patrão para entregar a carga. “Que raios de caminhoneiro eu seria se está todo mundo parado e eu rodasse?”.

Sem fome

Caminhoneiros parados em posto fiscal de Penaforte (CE) estão recebendo doações  (Foto: Arquivo pessoal)

Caminhoneiros parados em posto fiscal de Penaforte (CE) estão recebendo doações (Foto: Arquivo pessoal)

Há 43 dias na estrada, Garcia não sabe quando vai voltar para casa, mas garante que ele e os outros caminhoneiros acampados estão se virando bem.

“Tem dois mercados ainda que conseguem receber de um caminhãozinho ou outro, tem muita gente trazendo marmita. Nós na estrada não passamos fome”, garantiu.

No posto fiscal onde o seu caminhão está estacionado há cerca de 300 caminhoneiros e Garcia garante que ninguém foi embora mesmo após o governo anunciar as propostas para por fim à greve, no domingo (27).

“Eles estão achando que a gente é trouxa, eles estão falando de baixar 46 centavos na Petrobrás, mas na bomba não vai chegar isso. E é só por 60 dias. Aí depois volta os 46 centavos e dentro desses 60 dias ele [presidente Temer] pode tomar qualquer medida para não ter paralisação mais. Eles estão empurrando com a barriga até as eleições”, afirmou.

Para Garcia, o caminhoneiro chegou no limite, por isso está se mantendo firme na paralisação.

“A gente não parou do nada, já teve três boletins enviados para ele, enviados para o Senado, não deram importância e agora nós chegamos no ponto de parar porque não temos condições de trabalhar mais”, afirmou.


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