Segundo relatório da Ouvidoria das polícias, em março deste ano, 64 suspeitos foram mortos em casos considerados como “intervenção policial”.
Alfredo Henrique – Folha de São Paulo
São Paulo – As mortes provocadas por policiais militares em serviço, em março deste ano, correspondem a 48% a mais que no mesmo mês do ano passado, segundo dados da Corregedoria da corporação, que ainda são preliminares.
Segundo relatório da Ouvidoria das polícias, em março deste ano, 64
suspeitos foram mortos em casos considerados como “intervenção
policial”. No mesmo período de 2018 foram 43. O número de mortos por PMs em serviço no mês passado é inferior somente a janeiro de 2017, quando foram computados 67 mortos. No primeiro trimestre de 2017, segundo a Corregedoria, foram mortas 160 pessoas em confrontos com PMs em serviço. No ano seguinte, foram 157 e, neste ano, 176.
Segundo o ouvidor das polícias, Benedito Mariano, a quantidade de pessoas
mortas por policiais militares em serviço, em março deste ano “é atípica”.
“Atualmente, a corregedoria da PM investiga somente 3% dos IPMs
[Inquéritos Policias Militares]. Ou seja, 97% deles ficam nas mãos dos
batalhões, onde os policiais estão lotados. É necessário centralizar na
Corregedoria da PM os inquéritos relativos à morte em intervenção policial.
Este é o melhor caminho para diminuir a letalidade policial pela ‘expertise’
do órgão”, afirmou.
Durante a campanha eleitoral, o agora governador João Doria (PSDB) chegou a dizer que “a Polícia Militar no Brasil tinha que matar mais”. Depois, amenizou o discurso, dizendo que, “se ele [o bandido] reagir armado aos policiais, a orientação é que ele seja abatido”.
Tiroteio
Ontem, três suspeitos foram mortos em uma suposta troca de tiros com a Polícia Militar, na região da Vila Prudente (zona leste). Com mais esse caso, sobe para 14 o número de mortos pela PM, na capital e Grande SP nos últimos cinco dias.










