Parte de viaduto cai sobre um caminhão e mata o motorista e o ajudante

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Os corpos foram resgatados às 5h35, desta sexta-feira (09) quase 12 horas após o acidente.

Por Letícia Gasparini

Duas pessoas morreram depois que uma viga caiu em cima de um caminhão, em Coelho Neto, na Zona Norte do Rio de Janeiro. Os corpos do motorista Adeir dos Anjos, de 62 anos, e de seu ajudante, Deivid Sangi da Costa, de 29, foram resgatados às 5h35, desta sexta-feira (09) quase 12 horas após o acidente.

O acidente aconteceu na Rua Cajurana, próximo à Avenida Pastor Martin Luther King Junior, no trecho da via que passa embaixo da Avenida Brasil, que se encontra interditada no sentido Centro, entre os bairros de Guadalupe e Coelho Neto. Motoristas estão sendo orientados a seguir por uma reversível montada montada entre as passarelas 29 (Barros Filho) e 27 (Irajá).

As vigas novas foram colocadas na última terça-feira, de acordo com moradores da região. Eles afirmam que não havia placas de sinalização com a nova altura e que as novas estruturas eram mais baixas que as originais do viaduto.

— Eles colocaram as novas vigas, que são mais baixas que as originais, na madrugada de terça-feira. Depois disso, não colocaram placa no local avisando da nova altura — disse uma moradora, que preferiu não se identificar.

Outro morador contou que um outro caminhão teve dificuldades de passar sob o viaduto, também nesta quinta-feira:

— O caminhão até passou, mas os papelões que estavam em cima dele caíram. Era um prenúncio do que iria a acontecer mais tarde.

As vigas foram colocadas como parte das obras do BRT Transbrasil. O consórcio ainda não se pronunciou sobre o caso.

Procurada, a Secretaria Municipal de Infraestrutura e Habitação (SMIH) afirmou durante a madrugada que o gabarito (ou altura mínima) para obras previsto pela norma padrão urbana era de 5,8 metros em vias expressas (como a Avenida Brasil) e de 4,8 metros em vias arteriais (como a Rua Cajurana).

No começo da manhã, em uma nova nota, o órgão mudou as medidas informadas. Nesse segundo texto, consta gabarito de 5,5 metros para vias expressas e 4,5 metros para vias arteriais.

De acordo com a prefeitura, o viaduto tem 4,52 metros de altura em uma ponta e 4,55 metros em outra ponta. Por ser um alargamento do viaduto, a viga atingida teria a mesma altura do elevado. Mas fotos do local mostram que o encaixe da viga estava abaixo do nível da estrutura do viaduto.

Tanto na primeira como na segunda nota, a secretaria informou que o caminhão estava acima do gabarito previsto para via. Porém, o órgão não soube informar a altura do caminhão e afirmou que essa informação seria de responsabilidade da perícia. Entretanto, em seu posicionamento oficial, a Polícia Civil informa apenas que uma perícia foi realizada no local, que diligências estão em curso e que a 40ª DP (Honório Gurgel) instaurou inquérito para apurar o caso – sem fazer nenhuma menção à questão da altura do caminhão.

Medições feitas com trena durante a noite indicaram altura de 4,3 metros para o caminhão.

‘Nunca se envolveu em acidente’

Flavio Silva ambém caminhoneiro e genro do Adeir, disse que a vítima trabalha na área há 40 anos e que havia saído da Barra da Tijuca:

— Ele tinha saído do Posto 5, da Barra da Tijuca e estava a caminho de Bangu. Ele é carreteiro há 40 anos, nunca se envolveu em um acidente. Sempre passamos por aqui e não tinha essa viga, que é visivelmente menor.

Flavio acrescentou que a família, que é de Bangu, na Zona Oeste, já recebeu a informação sobre a morte de Adeir. O caminhão que ele guiava era de sua propriedade. Adeir deixa mulher, três filhas e três netos.

— Ele é conhecido e admirado por todos. É um cara super solícito. Paizão de todo mundo — afirmou. — Vi as fotos nas redes sociais, reconheci o caminhão e vim para cá.

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