“Julgamento” estaria relacionado a um caso de suposto abuso sexual, segundo a polícia.
A Polícia Militar (PM) prendeu dois suspeitos de participar de um “tribunal do crime”, em Limeira (SP), na noite deste domingo (22). Segundo a corporação, um grupo de jovens seria “julgado” por terem participado de uma festa no Jardim Glória, no dia anterior, na qual vários menores se embriagaram, entre eles uma jovem que supostamente foi abusada sexualmente.
Ainda conforme o relato da PM, a mãe da adolescente teria pedido providências a um dos presos, que seria responsável por manter a disciplina em uma facção criminosa que integra.
A denúncia sobre o suposto “tribunal do crime” foi feita ao Centro de Operações da Polícia Militar (Copom). Com a chegada de viaturas da 1ª e 5ª Companhia no local, por volta das 16h25, diversas pessoas tentaram fugir, quatro delas armadas, e alguns foram detidos, aponta o registro da ocorrência.
Com informações de moradores, a PM localizou um dos fugitivos embaixo da cama de uma casa que invadiu. Segundo os PMs, o indiciado ofereceu uma pistola 9 milímetros e um fuzil em troca de sua liberação, recebendo voz de prisão por corrupção ativa.
Os jovens que estariam sendo mantidos em cárcere privado informaram que foram convidado para participar de um churrasco e, de lá, iriam dar explicações dos fatos ocorridos na festa. Uma das testemunhas relatou à PM que os adolescentes iriam ser conduzidos até Jundiaí (SP), onde passariam pelo “tribunal do crime”.
No local, foram encontrados vários documentos deixados pelas pessoas que participavam do churrasco e fugiram com a chegada da polícia, além de duas motos e vários celulares, que foram apreendidos para serem periciados.

Resistência e ameaças
O rapaz detido informou que estava no churrasco para “decidir a vida” de alguns indivíduos que estariam envolvidos em um estupro de uma menor.
A PM comunicou que quando ele foi levado à Delegacia Seccional de Limeira tentou várias vezes danificar a viatura, chutando e dando cabeçadas no vidro traseiro e que, por isso, foi necessário o uso de algemas e uma corda para imobilizá-lo.
Ainda conforme a corporação, na delegacia ele desferiu vários chutes na cela, ameaçou de morte equipes presentes e pedia à sua irmã que conversasse com os familiares das vítimas para negarem os fatos senão iriam morrer.

Antecedente
A PM também informou que ele deixou a prisão há cerca de dois meses, onde cumpria pena após ser detido em outro “tribunal do crime”, em 2017.
Todos os envolvidos foram levados à delegacia de plantão e os menores foram liberados aos seus responsáveis. A PM informou que mais um homem foi preso durante a ação, mas não deu detalhes sobre a sua detenção.
Os dois indiciados vão responder por ameaça, corrupção de menor, corrupção ativa, organização criminosa, coação, dano, cárcere privado e sequestro. O registro do caso terminou por volta das 2h25 desta segunda-feira (23).










