Redes de supermercados contribuem para pobreza no campo

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Enquanto os supermercados ficam com até 50% dos lucros, os produtores rurais ficam com menos de 5%.

As grandes redes de supermercados contribuem para a pobreza e para as condições precárias de trabalho na cadeia de fornecedores de alimentos, onde estão trabalhadores rurais e pequenos e médios agricultores. É o que mostra o relatório Hora de Mudar – Desigualdade e sofrimento humano nas cadeias de fornecimento dos supermercados.

Segundo o levantamento, os grandes supermercados dominam os mercados globais de alimentos, o que lhes permite “espremer” as cadeias de fornecimento pelo menor valor dos seus produtos.

Enquanto os supermercados ficam com uma parcela cada vez maior do que é gasto em suas lojas, em alguns casos, cerca de 50%, a parcela que fica com trabalhadores e produtores rurais pode ser menos de 5%.

Os pequenos agricultores acabam perdendo o seu poder de negociação onde essas empresas abastecem e só lhes resta uma renda insuficiente para uma vida digna, trabalho análogo à escravidão e perda de terras.

A consultoria de pesquisa Bureau for the Appraisal of Social Impacts for Citizen Information, contratada pela organização, estudou a cadeia de 12 produtos de países em desenvolvimento que são vendidos nos supermercados europeus e norte-americanos: suco de laranja (Brasil), café (Colômbia), chá (Índia), cacau (Costa do Marfim), banana (Equador), uva (África do Sul), vagem (Quênia), tomate (Marrocos), abacate (Peru), arroz (Tailândia), camarão (Indonésia, Tailândia e Vietnã) e atum (Indonésia, Tailândia e Vietnã).

Brasil

O levantamento aponta que um em cada quatro copos de suco de laranja consumidos no mundo vem do Brasil. O preço do produto aumentou mais de 50% nos supermercados americanos e europeus desde a década de 1990. No entanto, o valor pago a pequenos produtores e trabalhadores rurais no Brasil chega a apenas 4% do valor de venda final.

A renda de trabalhadores e pequenos agricultores que fornecem laranja é de 61% e 58% do que seria necessário para um padrão de vida decente. Enquanto isso, as oito maiores cadeias de supermercados de capital aberto geraram quase US$ 1 trilhão em vendas, US$ 22 bilhões em lucros e US$ 15 bilhões em dividendos a seus acionistas em 2016.

Para ler o relatório completo, acesse: https://www.oxfam.org.br/desigualdade-na-comida.


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