Símbolo de Natal: conheça as parentes das renas que vivem no Brasil

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País é casa para oito espécies de cervídeos; característica exclusiva das renas é a presença de chifres nos machos e nas fêmeas.

A principal diferença entre as renas e os cervídeos brasileiros é a presença dos chifres nas fêmeas — Foto: Fernanda Abra/Arquivo Pessoal

 

Conhecidas por transportar o trenó do Papai Noel, as renas são famosas nas histórias de Natal. Mas fora da ficção a espécie também encanta os admiradores de natureza, assim como as ‘parentes’ que vivem no Brasil: o mamífero pertence à uma subfamília do cervídeos, que inclui espécies típicas do nosso País.

Encontrada no Hemisfério Norte, a rena (Rangifer tarandus) habita áreas de tundra e florestas boreais na Euroásia, América do Norte e Groelândia. Além da localização geográfica, a presença de chifres tanto nas fêmeas quanto nos machos é a principal característica que difere o animal dos cervídeos brasileiros, cujo chifre é típico somente nos machos.

Tidas como ‘Vulnerável’ na Lista Internacional de Espécies Ameaçadas, as renas sofrem principalmente com a fragmentação do habitat e a intervenção do homem na paisagem, que prejudica a típica migração dos animais.

“Outra questão curiosa sobre a espécie é que as renas estão em processo de domesticação. Estudos mostram que há cerca de 3 mil anos a humanidade começou a domesticar esses animais, por isso o fato de carregar o trenó nas histórias natalinas. Hoje existem inclusive fazendas de rena”, comenta Márcio Leite de Oliveira, pesquisador do Núcleo de Pesquisa e Conservação de Cervídeos (Nupecce), da Universidade Estadual Paulista (UNESP).

Cervos-do-pantanal vivem em ambientes de várzea e estão ameaçados de extinção — Foto: Regina Cardozo/VC no TG

“Primas de segundo grau”

No Brasil, a família Cervidae é representada por oito espécies: veado-catingueiro (Mazama gouazoubira), veado-roxo (Mazama nemorivaga), veado-mateiro (Mazama amareicana), veado-mateiro-pequeno (Mazama bororo), veado-mão-curta (Mazama nana), cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus), veado campeiro (Ozotoceros bezoarticus) e veado galheiro (Odocoileus virginianus).

O especialista explica que para identificá-las é possível dividir as oito espécies em dois grupos: as que têm chifre simples e as que têm chifre ramificado. “As com chifre simples são as cinco espécies do gênero Mazama que, com menos de 50 quilos, estão acostumadas a viver em áreas de floresta. Já o cervo-do-pantanal, o veado-campeiro e o veado-galheiro se destacam pelo chifre ramificado, com duas ou três ramificações, e porte grande, com mais de 50 quilos. Justamente por conta dessa característica, os animais costumam viver em áreas de vegetação aberta”, diz.

O veado-catingueiro é um cervídeo com tendência à vida solitária — Foto: Ricardo Venerando/VC no TG

Indivíduos machos mais velhos de cervo-do-pantanal podem apresentar até 10 pontas no chifre

Entre os animais com chifre simples, do gênero Mazama, há ainda uma divisão genética, importante para a identificação das espécies. “Temos os veados ‘vermelhos’ e os ‘cinzas’, categorias criadas justamente pelos tons predominantes da pelagem. Por estarem em florestas, as espécies foram selecionadas com as mesmas características morfológicas. Então há poucas diferenças visuais”, comenta Márcio, que destaca ainda os hábitos diferentes entre eles: noturnos entre os ‘vermelhos’ e diurnos entre os veados ‘cinzas’. “Além disso, as espécies tidas como vermelhas vivem em ambientes de floresta mais fechada e, consequentemente, mais escura, e as cinzas ocorrem em florestas mais abertas, com mais luz solar”, acrescenta.

Herbívoros, os cervídeos brasileiros costumam se alimentar de plantas com menos celulose e melhores índices nutritivos, justamente para acelerar o processo digestivo. “O curioso é que essas plantas costumam ter substâncias tóxicas para afastar os predadores. Por isso, o fígado dessas espécies é um pouco mais desenvolvido e resistente”, complementa Márcio, que destaca as espécies ameaçadas de extinção.

“Veado-mateiro-pequeno (Mazama bororo), veado-mão-curta (Mazama nana) e cervo-do-pantanal (Blastocerus dichotomus) são as espécies brasileiras ameaçadas de extinção na categoria ‘Vulnerável’. Hoje a principal ameaça é o ataque de cães domésticos, seguido da caça. No caso da Amazônia, o desmatamento também coloca as populações em risco. Já para o veado-catingueiro a principal ameaça é a construção de hidrelétricas que inundam várzeas e, consequentemente, inviabilizam o habitat da espécie”, explica o especialista.

Espécies do gênero Mazama se distinguem dos outros três cervídeos brasileiros pelos chifres simples — Foto: Dirceu Martins / TG
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