Estão desaparecidas 248 pessoas. Até agora, segundo os bombeiros, já foram mais de 220 horas de voo de helicópteros na busca e no resgate de vítimas.
O número oficial de mortos em Brumadinho subiu para 115; 248 pessoas estão desaparecidas.
É madrugada. Quando um dia de buscas termina, o outro já está começando. No hangar dos bombeiros, eles estão preparando os helicópteros. O dia logo amanhece e eles têm que estar no céu para as missões de resgate.
Os helicópteros precisam de uma vistoria detalhada e de limpeza. Além de enfrentar lama e poeira, há outro perigo: o minério de ferro, fininho, entra no equipamento e pode comprometer o funcionamento da aeronave. O tempo é curto para deixar os aparelhos prontos para voar.
“Nós chegamos todos os dias por volta de 21h e iniciamos a chamada de 5 da manhã. Nesse período, nesse intervalo, os mecânicos têm que trabalhar intensamente”, explica o tenente-coronel Alexandre Gomes Rodrigues, comandante de operações aéreas.
Antes de deixar o hangar, os pilotos recebem as últimas instruções. Quando o sol aparece, os helicópteros deixam o hangar, em Belo Horizonte, com destino a Brumadinho. No caminho, descobre-se porque esse é o nome da cidade: veja quanta bruma, quanta névoa se forma ao amanhecer entre as montanhas da região.
Do alto dá para ver uma barragem parecida com a que ruiu e o mesmo risco. Um pouco abaixo, prédios de uma empresa.
Logo adiante, a área devastada pela onda de rejeitos. Uma semana depois, ainda tem água escorrendo de alguns pontos e muita lama. O destino dos helicópteros é a capela Nossa Senhora das Dores, o quartel-general das operações de resgate.
No altar da igreja se instalou um centro de controle aéreo, com espaço dividido entre o pessoal da Força Aérea e dos bombeiros. Até agora, segundo os bombeiros, já foram mais de 220 horas de voo.
“Certamente, junto com Mariana, é a maior operação de resgate e recuperação feita até hoje em Minas Gerais”, disse o tenente do Corpo de Bombeiros Pedro Aihara.
É um trabalho que envolve risco à saúde dos bombeiros. Eles precisam tomar remédios para prevenir doenças como pneumonia e febre tifoide. “A gente fala que nasce bombeiro e é um prazer, uma honra poder ajudar os outros, é uma honra estar aqui, com certeza”, afirmou a sargento Natália Daisy Ribeiro.
Nesta sexta-feira (1º), eles desempenharam mais um papel importante. A bordo de dez helicópteros, homens e mulheres que se dedicam ao trabalho de resgate lançaram flores sobre as famílias vítimas da barragem. Orações em meio aos rejeitos marcaram o oitavo dia de buscas pelos desaparecidos.
A cerimônia foi na mesma hora em que aconteceu a tragédia, uma homenagem aos que morreram, aos que estão sofrendo, feita por aqueles que trabalham para diminuir esse sofrimento.










