O nome “bipolar” é referente aos polos depressivo e mais acelerado.
O Transtorno bipolar parece ser coisa de adulto, mas pode afetar seu filho também. É uma doença caracterizada por uma desregulação do funcionamento do sistema nervoso e isso altera o comportamento da pessoa. O nome “bipolar” é referente aos polos depressivo e mais acelerado. Ela fica alterada, mas não é apenas o humor que muda, é mais complexo que isso, segundo Diego Tavares, psiquiatra do Hospital das clínicas e filho de Sonilda e Wasthon, por isso, pode ser confundido com depressão.
“Como a depressão, o transtorno bipolar afeta também os impulsos e o nível de energia que faz a pessoa se sentir disposta ou cansada.” Tem áreas do cérebro relacionadas à capacidade de tomadas de decisão. Na depressão, os impulsos sofrem uma queda, por isso a pessoa fica mais desmotivada. Já no transtorno é diferente, pode acontecer o oposto, a pessoa fica muito acelerada, toma decisões impulsivas.
Outro ponto distinto é a velocidade e a quantidade de pensamento. Na depressão, ocorre a redução, no transtorno, acelera. A pessoa pensa muito mais, se sente agitada, acelerada, tem menos concentração, dificuldade de memorização, não consegue dormir, troca o dia pela noite. “Tem gente que passa o dia dormindo e a noite acordado”, explica Diego.
Tipo I Maníaco: é mais raro, mas mais comum em livros e filmes. A pessoa tem crise maníaca, ela se altera totalmente. “Fica acelerada, ligada no 220 por uma desregulação da cabeça. Não dorme durante o dia, fica falante, agitada, com o humor desinibido, conversa com pessoas estranhas, passa por situações vexatórias, te, compulsão por gastos, por sexo, jogos, drogas, álcool.” Pode até ter delírios e alucinações porque as áreas do sistema nervoso alteram a noção da realidade. Acontece com 1% da população e tem um componente hereditário maior.
Tipo II: É mais depressivo e comum. Se diferencia da depressão clássica pelo fato de ser uma doença de altos e baixos. Fica anos tendo depressão e melhorando muito rápido, ao contrário da própria depressão que é mais constante, passa muito mais tempo depressivo para depois melhorar. Atinge 8% da população e demora de 10 a 14 anos para ser diagnosticado.
Em crianças, é mais comum o tipo I, mas se apresenta de modo diferente. A criança não fica eufórica, ranzinza, explosiva, agressiva, o que dificulta ainda mais o diagnóstico. Existe o risco de suicídio em crianças a partir de 8 anos. Isso porque, a partir dessa idade, a criança passa a entender coisas hipotéticas, com coisas que não são visíveis, como a vida e a morte.
A maioria dos casos são mais devido ao transtorno do que à depressão exatamente por ter a fase agitada, que aumenta o impulso. “O risco é menor do que em adultos, mas existe e se fala muito pouco sobre isso.”
Para ter um diagnóstico precoce, você tem que ficar ligado ao comportamento do seu filho. Se ele gosta de esporte, de se arrumar, sair e agora não quer mais, fica tímido (e não por ser da personalidade), mais irritado. Ele não vai saber identificar porque está se sentido daquele jeito e pode ficar ainda mais confuso. Pode perder a vontade de viver, por isso é importante conversar abertamente sobre todos os tipos de problemas, para estimular seu filho a se abrir.
Se um dos pais ou os dois são diagnosticados com transtorno bipolar pode facilitar o diagnóstico porque é uma doença genética. “Mas pode acontecer dos pais não saberem que têm transtorno bipolar.”
O tratamento, segundo Diego, é com uso de reguladores\estabilizadores de humor e psicoterapia. “É assim que a pessoa vai aprender a identificar as próprias alterações de humor e comportamento e presumir consequências negativas na própria vida.” A doença bipolar não escolhe idade, sexo, raça, orientação sexual, profissão, nível socioeconômico. É uma realidade e precisa de atenção.
Tem uma sugestão de reportagem? Nos envie através do WhatsApp (19) 99861-7717.












