Os casos desse tipo de violência, não têm nenhuma relação com a condição social das regiões periféricas.
Dentro de casa ! O lugar que deveria ser significado de segurança e privacidade. O pai ou padrasto. Figura masculina que representa proteção e confiança. Para algumas crianças e adolescentes, a junção desses dois elementos é sinônimo de sofrimento, que desencadeia traumas para o resto da vida.
Segundo o pesquisador e psicólogo Liércio Pinheiro, o aumento nos casos desse tipo de violência, não têm nenhuma relação com a condição social das regiões periféricas. “O abuso sexual está em todas as esferas sociais. O que acontece é que as pessoas de classes sociais mais baixas denunciam mais que pessoas com maior poder aquisitivo, que, para manter o status, acabam abafando as situações e as tratando internamente”.
De acordo com ele, os caso mais frequentes e alarmantes acontecem silenciosamente. Não necessariamente as situações de abuso sexual ocorrem com violência: de forma lenta, o agressor tenta fazer um jogo com a criança, e usa da intimidade e proximidade com a vítima para transformar a aliciação sexual em casos rotineiros.
A denúncia de casos de abuso sexual tem consequências imediatas, segundo o psicólogo. “Existe o afastamento do agressor, que geralmente é uma pessoa com um vínculo próximo à criança. Tem também a situação socioeconômica que a mãe vivencia. Na maioria dos casos, o agressor é o provedor financeiro da casa, e devido a isso, a mãe fica numa situação extremamente delicada ao denunciar”, explica.
Em caso da comprovação do abuso, o pesquisador salienta a importância do acompanhamento à criança. “Assistência social e psicológica, acompanhamento da Defensoria Pública e em clínicas universitárias ou escritórios jurídicos devem estar presentes”, acrescenta.
CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS E SOCIAIS
Choros desmotivados, baixo rendimento escolar,medo de algum familiar do sexo masculino, pesadelos, comportamento imaturo, mudança de comportamento social e excesso de interesse por assuntos sexuais são alguns dos possíveis sintomas comportamentais que as vítimas podem apresentar.
Segundo o psicólogo Robson Menezes, toda exploração sexual é extremamente traumática. Cada pessoa pode desenvolver consequências diferentes, o comportamento da vítima é variável, assim como o do agressor. “A criança pode virar um agressor sexual, pode ter raiva do sexo oposto, pode desencadear comportamentos violentos e até depressão”, explicou.
Na fase adulta, a vítima abusada durante a infância leva as marcas do que ocorreu. Ela pode não aceitar o próprio corpo, ter problemas de relação social e sexual com outras pessoas, baixa autoestima, problemas psicossomáticos como fobias e transtorno de ansiedade, e auto-mutilação, que pode levar ao suicídio.
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